“...Penso na miudezas das coisas. Nos detalhes que também têm que ser mudados por você não estar. Das circunstâncias que são tão marcantes, que são difíceis de dizer um adeus quando eu mais tento fugir de todas elas. E a dor, deita no sofá da nossa casa, e me faz companhia a noite inteira, e não me deixa dormir, com o dedilhar das teclas do notebook, como você fazia. Iguazinha, ali...serena e compenetrada mapeando meu sono, e me fazendo sentir cada vez tua falta.
O seu lugar está lá, intacto, frio, com as almofadas me enganando de que há um corpo naquele lugar; um corpo quente que há dias ocupava com tanto amor, desejo e vontade de que aquele momento durasse por séculos, e quem sabe até depois da vida. Mas a sr. Dor, não só me faz lembrar de tudo isso em sequência de segundos, como me faz congelar esses pensamentos sem dó, nem piedade. Quando tudo isso irá terminar?Quando haverá um novo sol, para que esse vazio se transforme em alegria novamente?
E o que faço é traduzir e vigiar. Vigiar o dia inteiro a esperança que por baixo de escombros ainda consegue vingar ruídos de existência, e persistência..”

Nenhum comentário:
Postar um comentário